Manoela Santos
Tema

Luto migratório

Luto migratório não é só saudade. É o conjunto de perdas que ninguém avisa que vêm com a imigração: a família que fica, o idioma que vai escorregando, a versão de você que só existe em português. A psicanálise tem nome e ferramenta para esse luto específico.

Quem imigra perde coisas que não estão no contrato da mudança, a mãe na mesma cidade, os amigos de infância, o jeito de ser você num lugar onde todo mundo te entende. Essas perdas têm nome: luto migratório. E diferente do luto por morte, o objeto não morreu, ficou inacessível. O que torna a elaboração mais difícil e, muitas vezes, mais demorada.

Perguntas frequentes

O que é luto migratório?

Luto migratório é o conjunto de perdas que a imigração provoca: a família que ficou, a língua que vai escorregando, a versão de você que só existia em português. Diferente do luto por morte, o objeto não morreu, ficou inacessível, o que torna a elaboração mais difícil.

Quais são os sintomas do luto migratório?

Saudade intensa, irritabilidade, sensação de não pertencer em nenhum lugar, dificuldade de fazer planos, angústia sem causa aparente e choro fácil são sinais comuns. Muitos relatam também um cansaço que não passa, mesmo dormindo bem.

Luto migratório tem cura?

Luto migratório não se cura como uma doença, se elabora. Com o tempo e com espaço para ser nomeado, as perdas vão encontrando lugar. A psicanálise oferece esse espaço: não para apagar o que ficou, mas para poder seguir carregando sem que pese tanto.

Quanto tempo dura o luto migratório?

Não há prazo fixo. O que ouço na escuta é que a fase mais difícil costuma ser o segundo ou terceiro ano, quando a adrenalina da chegada passou e o custo emocional começa a aparecer. O processo depende de cada pessoa e das perdas específicas que carrega.

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